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Showroom: a era da experiência

Showroom: a era da experiência
Nino Wladeck

Nino Wladeck

Sócio e CEO da Kaaza atuando há mais de 15 anos no desenvolvimento de estratégias, narrativas e experiências para lançamentos imobiliários em todo o Brasil. Ao longo de sua trajetória, participou de projetos que somam bilhões em VGV, conectando arquitetura, branding, visualização arquitetônica, tecnologia e experiência de venda para incorporadoras e construtoras de diferentes mercados.

O comprador não quer mais ver. Ele quer viver.

Há mais de dez anos eu digo a mesma frase, sempre que alguém me pergunta o que tem de novo para campanhas no mercado imobiliário: "Nós, da Kaaza, vivemos de imagem, mas eu não sei até quando a imagem vai ser o carro-chefe da venda."

Quando falo em imagem, falo dos renders, e isso inclui vídeo. É a matéria-prima de qualquer campanha visual do nosso setor, o item que abre todo briefing de lançamento. Abro com essa frase porque hoje, mais do que nunca, a imagem está perdendo força. O cliente está sendo bombardeado por milhares de imagens brigando por atenção em todo canal online, e a chegada da inteligência artificial acelerou ainda mais esse processo. Nunca foi tão fácil produzir imagens bonitas. Consequentemente, nunca foi tão difícil fazer uma delas permanecer na memória de alguém. Quando todo mundo tem acesso à mesma ferramenta, a imagem deixa de ser diferencial e vira commodity.

O cliente quer mais. Chegou o momento em que ele busca uma experiência além do convencional. Ele quer sentir, tocar, montar, desmontar, entrar, sair, alterar. E o ponto que eu quero deixar claro nesse texto é: isso já é possível. Não é promessa de futuro, é tecnologia madura, disponível, funcionando agora, em lançamentos reais, com clientes reais decidindo compra a partir dela. O que falta, na maioria dos casos, é quem saiba entregar direito.

A Kaaza, desde o início, escolheu se especializar nisso: realidade virtual, maquetes interativas em telas touchscreen e salas imersivas. Não como item de decoração de estande, mas como ferramenta de venda. Bem empregadas, elas têm um potencial de engajamento absurdo, muito além do que qualquer imagem entrega, porque colocam o cliente dentro da decisão de compra, não só na frente dela. O problema é que muita gente vende mais do que entrega, e isso queimou a credibilidade de tecnologias que, hoje, já resolveram os problemas que tinham.

Realidade virtual

Vou começar por essa, porque foi a que mais sofreu com mau uso. A realidade virtual teve uma história cheia de tropeço, e isso causou muito desconforto nos clientes. Vários estúdios, sem nenhum foco na experiência de quem ia usar o óculos, começaram a vender esse tipo de tecnologia sem ter capacidade técnica para sustentar a promessa. Entregavam ambientes feios, texturas mal resolvidas, um processamento lento que travava a cada movimento de cabeça. O resultado você já imagina: óculos na cara, ambiente ruim na tela, enjoo, dor de cabeça. Em vez de encantar, a experiência afastava.

Até hoje eu escuto de cliente que não usa realidade virtual porque teve uma experiência péssima, geralmente há alguns anos, em outro estande, com outro fornecedor. Só que ninguém para pra calcular que isso foi lá no início, quando o software ainda não era tão poderoso e o fornecedor não tinha a experiência que precisava ter para lidar com renderização em tempo real. Hoje a realidade virtual está em um nível maravilhoso, tanto de resultado visual quanto de conforto de uso. Motor gráfico melhor, processamento mais rápido, óculos mais leves, menos latência entre o movimento da cabeça e a imagem, que era exatamente o que causava o enjoo. A tecnologia amadureceu. Falta o mercado atualizar a impressão que ficou de uma experiência que já não existe mais nesse formato.

Maquetes interativas

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Nessa eu sou suspeito para falar. Sou arquiteto, e sempre busquei, a vida inteira, uma forma de traduzir o projeto de um jeito claro e leve para o cliente. As pessoas já não querem mais o trabalho de entender uma planta baixa, decifrar escala, imaginar pé-direito, adivinhar onde bate o sol da tarde. Não existe nada mais visual do que desconstruir pavimentos em tempo real, subir e descer andar por andar tocando na tela, entrar dentro do ambiente como se fosse um tour guiado pelo próprio corretor.

Isso é tangível. Você coloca o projeto na mão do cliente como se fosse um Lego: separa a torre por pavimento, isola a unidade, gira a planta, compara metragem entre dois apartamentos no mesmo toque de tela. E é uma experiência de verdade interativa, que ajuda os dois lados da mesa. Ajuda o corretor, porque a informação está estruturada na ferramenta, e isso evita que ele cometa gafe ou esqueça algum dado técnico importante durante a visita. Ajuda o cliente, porque ele simplesmente entende o projeto, sem precisar decifrar planta baixa nem confiar cegamente na explicação verbal de quem está vendendo.

Salas imersivas

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Essa é delicada, porque envolve muita experiência e a capacidade de um time inteiro de contar uma história extremamente emocional, do roteiro à trilha sonora. As salas imersivas têm um propósito só: fazer a pessoa sair de lá emocionada, com uma lembrança que ela carrega mesmo depois de visitar outros dez empreendimentos na mesma tarde. Só que a grande maioria das empresas não consegue chegar nesse nível de emoção, nem traduzir isso em projeção na parede, som e, às vezes, vento e cheiro. O resultado acaba sendo tecnicamente correto e emocionalmente vazio, que é o pior dos dois mundos, porque custou caro e não converteu.

Essas salas têm um poder enorme, mas na prática não estão entregando o que deveriam. Já visitei várias salas imersivas de grandes construtoras do Brasil, e sendo bem sincero, acho que 10% delas me tocou de verdade. As outras 90% eram projeção de vídeo institucional em parede curva, sem roteiro emocional nenhum por trás.

Então fica a pergunta: vale a pena investir um milhão de reais em um espaço que talvez não entregue nada além de um vídeo que o cliente poderia assistir em casa, no YouTube, sentado no sofá, sem nenhum custo de estande?

O que separa uma coisa da outra

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Realidade virtual, maquete interativa, sala imersiva. As três têm o mesmo destino possível: virar um item caro na planilha de lançamento que não converte nada, ou virar o motivo pelo qual o cliente lembra do seu empreendimento seis meses depois de ter visitado dez outros. A diferença nunca está na tecnologia em si, no equipamento, no óculos, no projetor. Está em quem projeta a experiência antes de ligar o equipamento: quem pensa roteiro, ritmo de visita, o que o cliente precisa sentir em cada minuto dentro daquele espaço.

E é exatamente aí que mora o meu ponto nesse texto todo: o cliente já pode ter essa experiência hoje, sem enjoo, sem sala vazia de emoção, sem maquete que só ocupa espaço. A tecnologia amadureceu, os equipamentos ficaram acessíveis, o software resolveu os problemas técnicos que existiam há dez anos. O que ainda é raro é encontrar quem saiba montar isso do jeito certo, do primeiro contato até a entrega final, pensando em cada etapa como parte do processo de venda e não como um efeito especial isolado. Foi nisso que a Kaaza escolheu virar especialista desde o começo, e talvez seja exatamente por isso que a gente ainda estranhe tanto ver essas tecnologias sendo usadas mal por aí.

A imagem ainda vai ocupar seu espaço por um bom tempo. Mas quem depender só dela vai competir cada vez mais caro por uma atenção cada vez mais curta.

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